Vi, recentemente, um vídeo onde o Dr. Gabor Maté dizia que, em tempos, tinha tentado “justificar a sua existência no mundo”, trabalhando intensamente. E esta frase fez-me refletir.
Se, bem lá no fundo, não sentirmos que temos valor ou que somos merecedores, se sentirmos que não somos suficientes… não iremos, desesperadamente, procurar fazer algo que tente mostrar o contrário? Não iremos, como o Dr. Gabor disse, tentar “justificar a nossa existência no mundo”?
“Eu sei que não sou suficiente. Eu sei que o meu valor depende de fatores externos, como aquilo que tenho ou faço ou, até, a opinião que os outros têm de mim. Então, vou tentar “justificar a minha existência no mundo”, trabalhando intensamente, fazendo mil e uma formações e produzindo sem limites. Assim, faço por merecer e provar o meu valor: ora vê, trabalho tanto e tenho todos estes diplomas que atestam que, sim, tenho valor!”
Mas… porque motivo isto acontece? Porque nos é tão difícil acreditar que temos valor? Esta falta de autovalorização pode surgir, por exemplo, durante a infância. Quando as crianças crescem a pensar e a sentir que só são valorizadas ou amadas se fizerem X, Y, ou Z, como terem boas notas na escola ou portarem-se “bem”, vão aprender que o amor é condicional. Que o seu valor depende, sim, de fatores externos: do que têm, fazem ou são. E se isso não corresponder ao que os OUTROS acham que deve ser, se não for de encontro às suas expectativas, então nunca serão suficientes. E isto é uma aprendizagem que nenhuma criança deveria fazer; é um fardo demasiado pesado para se carregar para o resto da vida.
Mas a questão é… se não trabalharmos este merecimento, de dentro para fora, vamos estar sempre à procura de mais uma confirmação externa. Mais um diploma. Mais uma hora a trabalhar. Mais alguma coisa que me ajude a “provar” que mereço cá estar. É um ciclo sem fim…! No entanto, se sentirmos que temos valor, independentemente DE, não precisamos de tentar mostrar que temos. Não precisamos de ter, ser ou fazer nada para termos valor. Simplesmente temos! E isso muda tudo: a forma como nos sentimos, como nos comportamos, onde gastamos o nosso dinheiro e como nos relacionamos com os outros.
O merecimento e a autovalorização são, então, das questões que mais surgem, em consulta de terapia floral. Não é por acaso: desde a escola, à cultura da beleza e do corpo, ao trabalho e ao dinheiro… bolas, hoje em dia, até nas emoções que sentimos e no que pensamos: ou fazemos/temos/somos de uma determinada forma, ou falhámos. Começarmos a desassociar o nosso valor de todas estas coisas é, sem dúvida, libertador! E os Florais de Bach podem ser uma ferramenta poderosa neste processo, ajudando-nos a perceber que, não, não precisamos de tentar “justificar a nossa existência no mundo”. Florais como o Pine, o Larch, o Crab Apple ou o Agrimony vão promover qualidades como a autovalorização, a autoestima, a autoaceitação e a autoconfiança. Estas qualidades já existem em todos nós, que fique bem claro… apenas se encontram “escondidas” e soterradas por debaixo do peso da autocrítica, do desmerecimento e do autojulgamento.